quarta-feira, 14 de abril de 2010

ESSEKER

Andava lentamente por entre os corredores macambúzios e sombrios da escola. Não tinha paciência. Tirava o casaco de Inverno, pois a manhã apresentava um sol brilhantemente vivo e empacotava a impaciência no seu deambular repugnante de um lado para o outro à espera do toque de entrada. A demora tornava-o incansável no eu balançar agoniante e já irritava observar aquele individuo a pousar a sola dos sapatos, um tanto "cinzentos amarelados", no chão. Um assento na pequena cadeira de madeira suportada por uns pedaços de ferro sem cor era o que mais desejava, aquilo porque à cinco minutos atrás aguardava naquele corredor demoníaco com centenas de histórias presentes nas paredes coloridas de um amarelo literalmente deprimente. Agora várias criaturas se juntavam em grupos e abandalhavam à porta da sala. Era o segundo toque, e ao fundo, nuns sapatos brancos rendados de preto, vinha carregada de matéria a professora hedionda dos cabelos em pé. A Porta da Sala fora aberta e os corredores abandonados.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

terça-feira, 6 de abril de 2010

Can't Take My Eyes Of You

Agarrava nas suas pernas e juntamente com a sua grande necessidade de apanhar o comboio percorria pequenos metros de caminho. a paragem era no aconchegante Palácio de Cristal, onde o cobriam pequenas flores e ervas com uma beleza ascendente. Mas eram as íris dos olhos esverdeados que o abandalhavam aos Jardins do Palácio. Simão era um historiador apaixonado por arte. Tudo o que estudava era a arte visual. Os factos, os acontecimentos, os crashs e tudo o que era história abominável aborreciam a pequena massa cinzenta que guardava numa caixa a que chamava cérebro, e não fazia intenção de se entediar. Usava sempre um t-shirt, um casaco, umas calças de ganga e umas sapatilhas confortáveis para procurar algo luminosamente chamativo que fotografava na sua cabeça para mais tarde ortografar num diário. O comboio chegara mais uma vez ao destino, e agora, metia as mãos nos bolsos e mantinha a cabeça submersa naquilo que ali procurava. A entrada estava situada num portão de ferro e as "paredes" de cobre do centro do Palácio convocavam a atenção de quem ali passava. Finalmente entrou. O que o prendia ali era um aconstatação absolutamente banal, embora não deixasse de ter o seu encanto. Então, percorreu o palácio um pouco acanhado, à procura do que tanto ababalhava. Quando se sentou para contemplar as águas do Douro, apareceu-lhe o sol posto e uma história perdida no banco de pedra esbatida que se encontrava de frente para a ponte da Arrábida. Era um pequeno excerto de uma história de amor, onde se poderia ler claramente: " Elizabete, portadora de os olhos mais brilhantes e resplandecentes beijou-me com o seu olhar intimidador e proferiu meia dúzia de palavras que me deixaram louco. não consegui esquecer o azul do céu e o calor que o sol transmitia na minha cabeça, apetecia-me gritar e fugir dali para o Paraíso, ela não era de cá, tinha cabelos amarelos multidireccionais, e umas mãos geladas, um sorriso encantador, apetecia morder. " . Claramente o que Simão procurava tinha sido encontrado. Uma arte etiquetada de palavras e legendas. Agora precisava de uma tela e sair da cidade. Agarrava na carteira preta de uma marca ainda não decifrada para comprar meia dúzia de folhas brancas ao porteiro do Palácio, e correu para o banco, onde tudo o que lá deixou foram marcas da ponte comida pela luz do sol, junto às montanhas de letras proferidas nos papéis rasgados que tinham sido encontrados anteriormente.