terça-feira, 26 de julho de 2011

BOLACHA DE ARROZ

Pela segunda vez, tive sono. Passavam alguns minutos das oito da manhã, com uns segundos à mistura. Parecia um pigmeu. Estava sórdida, coberta de vestes cheias de poeira que cobriam o chão do Porto com muitas histórias indolentes e ocultas que não interessavam nem aos pombos que nela passeavam com o intuito de manter o metabolismo activo. Estava cansada. Tivera lançado as minhas pernas à estrada para me ir divertir com a rapaziada no Sahara (uma espécie de bar tunisiano) e abstrair os problemas da minha cabeça. Tinha sido óptimo, até ao que me ocorria na memória. Agora, encontrava-me ali, incógnita, inaudível, hedionda, junto aos Leões, completamente consumida de dores de cabeça agoniantes e com um sono profundamente brutal que me agarrava enquanto eu lutava para regressar a casa.
Ninguém me tivera ajudado, e eu, completamente estafada, havia caminhado o mais fortemente até à rua do talho Primor, onde me encontrava a morar.
Quando reparei nas horas, o sol já se havia desmembrado do céu e o ponteiro branco marcara um quarto para as vinte e uma. Mal sabia contar até dez.
Uma borracha apagou completamente o que se passou a seguir, e mesmo hoje, quando tento procurar por um vestígio de história acabo sempre por encontrar, o vazio. E à noite, quando me aconchego na lustral colcha azul carmim, completamente esfalfada, apenas volto a matutar no mesmo: tivera sido um sonho?