quarta-feira, 28 de agosto de 2013

A cena é que as pessoas não conseguem viver sozinhas


Tenho uma necessidade constante de estar só.  
Estar só é a única maneira de me compreender e sentir-me compreendida. A única forma de ser eu sem me sentir influenciada ou ser uma influência para alguém, além de mim própria.
Estar só, não significa estar-se isolado do mundo. De facto, é muito improvável conseguir viver-se isolado do mundo, mas é interessante estabelecer contacto visual com a sociedade, maioritariamente visual.
Amar é apenas um escape à compreensão pessoal. Uma forma de dar um pouco da própria pessoa a alguém, de ouvir e receber novos sentimentos.
O problema do contacto interpessoal é que ao se oferecer demasiado do próprio ser, este acaba por se perder. Não que um bom diálogo não nos faça crescer, porque experimentalmente faz, mas um diálogo de exposição pessoal retira de certa forma uma percentagem de personalidade e é assim que nos vamos perdendo, não dentro de nós, mas dentro dos outros.
É por isso que o contacto visual se torna, a longo prazo, saudável. O isolamento, por sua vez, rouba ao ser humano experiências embora proporcione um prazer que socialmente não se obteria. O prazer que, das experiências sociais se obtém, esse, só amando alguém se pode experienciar, mas esse, que através de um simples olhar, uma abraço, uma conversa profunda ou um beijo, não frequentemente, com alguém, não se pode obter isoladamente. O prazer sexual acaba por ser uma excepção ao isolamento e ao contacto social, mas não entremos por aí.